1968-2018
“Caros amigos de 1968,
vocês me pediram repetidamente para comemorar de alguma maneira os 50 anos do movimento que mudou radicalmente o mundo. Aqui vai então meu comentário. As seguintes linhas são dedicadas inteiramente a vocês, sempre em minha memória, ontem como hoje”.
Minha história, a verdadeira, começou assim:
Minhas viagens ao exterior começaram em Milão, na época de uma infância muito feliz, quando visitávamos regularmente os avós maternos em Londres. O esporte que pratiquei me levou a muitos outros países ao redor do mundo.
Vivi uma longa e intensa atividade de atleta com grande comprometimento, embora o esporte em nível competitivo não tenha sido minha livre escolha. Os contrastes familiares resultantes foram às vezes muito duros.
No final dos anos 60, aos 16 anos, com verdadeira paixão, de corpo e alma, dediquei-me à militância política que me empolgou e me envolveu veementemente desde a primeira adolescência.
Nós então formamos um grupo unido por fortes laços de sólida fraternidade e vivemos uma longa e épica história que foi absolutamente e somente nossa. É essencial sublinhar que as pessoas, as nossas famílias, os meios de comunicação nunca realmente a conheceram em seus detalhes.
Uma série de fatores, incluindo a própria carreira esportiva, me impediu de viver a experiência política em tempo integral, seguindo meu caminho até o fim, como eu realmente queria. Foi um sonho que não se realizou.
Desse valente e inesquecível grupo lembro-me dos meus amigos mais leais. Com os outros eu perdi contato, muitos não vivem mais. Eu ainda guardo a lembrança de todos eles no meu coração!
Sou italiano de uma Itália que não existe mais. Seguimos querendo-a linda, grande e respeitada. Nos une a paciência e a determinação em “cavalgar a tigre” dos dias atuais. A certeza de um novo Ressurgimento.
Milão maravilhosamente impossível, elegante (alguns ainda o são), pragmática. Rio de Janeiro, pérola dourada , verão eterno de um maravilhoso, imenso, incomparável Brasil. Entre estas duas cidades eu dividi meu coração e minha vida.
Admiro a Alemanha e sua cultura.
Sobre o materialismo histórico / dialético e os dois indivíduos que formularam sua teoria pesa, mesmo que indiretamente, a responsabilidade dos muitos males que afligiram (e continuam afligindo) nosso mundo. Foram alemães por engano.
Ao idioma alemão, digno herdeiro do mundo latino, dediquei muito do meu tempo, estimulado tambem pela paixão por Wagner e sua música. Sublime! Das línguas que falo é a minha favorita.
Vivi intensamente os anos 60 e 70 em Milão. Foram formidáveis, arrebatadores, memoráveis, épicos. Em absoluto os melhores da minha vida!
Infelizmente, foi nosso erro fatal não compreender naquele tempo quão limitada era a soberania da Itália em seu contexto nacional, europeu e mundial. As tramas traiçoeiras das várias Inteligências (as nossas foram sempre humildes servas, assim como os nossos incompetentes políticos, da “Agency” do outro lado do Atlantico) derrubaram inexoravelmente o projeto de uma nova ordem, de uma “Weltanschauung” não aprovada por nossos “patrões”. A conta que pagamos foi salgada, por vezes trágica!
Guardo sempre nas minhas lembranças e no meu coração os amigos verdadeiros e fiéis daquela época, alguns deles são amigos até hoje. Com eles compartilhei projetos e esperanças, a nossa praça, as reuniões, as demonstrações, nossas lutas, nossa militância. Juntos escrevemos paginas inesquecíveis da nossa juventude.
Moro no Rio desde 1980. Grande, maravilhosa cidade de pessoas extraordinárias, parques, florestas, praias míticas, verões que nunca acabam.
Amo a Itália. Como muitos do nosso grupo no entanto, eu também a deixei . Eu volto sempre, mas do jeito que ela é hoje realmente não sinto falta.
E finalmente chegará o dia em que o mundo recuperará os valores há muito tempo perdidos, redimindo-se da realidade deprimente de seu populismo “tribal”!
“Ducunt volentem fata, nolentem trahunt” (Sêneca) O destino leva aqueles que o apoiam, arrasta aqueles que lhe-se opõem.
Meu objetivo de um dia que virá? Um planeta a milhões de anos-luz de distância da Terra para recomeçar de onde eu parei
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim…
(Antonio Carlos Jobim)

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RIO DE JANEIRO – IPANEMA


RIO DE JANEIRO – COPACABANA


